04/09/09 - 18h30
Mônica Pontalti / IBF
Bióloga Mônica Pontalti
“As Baleias que estão visitando nossas praias, além de precisarem enfrentar muitos quilômetros na sua rota migratória, que já é naturalmente cheia de obstáculos, agora precisam enfrentar mais um, que são as redes de pesca.
| Fotos: IBF |
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Baleia enredada na Praia do Siriú |
Como verdadeiras cortinas, essas redes se estendem por quilômetros aprisionando todos os seres que nela passam. Estudiosos chamam esse acontecimento de "bycatch" (pesca não seletiva, que consiste na captura de qualquer espécie quando se tenta apanhar outras). É a maior ameaça à sobrevivência dos cetáceos existentes no planeta.
Os quilômetros e quilômetros de redes espalhadas por todos os oceanos são invisíveis e indetectáveis pelos radares dos cetáceos e não vistos pelos alguns animais marinhos, que após ficarem presos se enrolam e acabam morrendo por afogamento, pois precisam de tempos em tempos subir a superfície para respirar.
| Fotos: IBF |
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Rede pode prejudicar a baleia-mãe e muito mais o filhote |
As grandes baleias conseguem escapar à morte por afogamento, que é o que acontece com golfinhos, pinguins, tartarugas entre outros, mas, quando fogem, levam, agarradas ao corpo, restos da rede onde caíram, o que lhes provoca grandes feridas, que podem impedir os movimentos e condená-las a uma morte lenta.
Essa realidade foi vista em nossas praias nos últimos dias. Durante seu trabalho de monitoramento, os biólogos do Instituto Baleia Franca puderam fotografar duas baleias adultas com vestígios de redes presas na cabeça.
Esses animais provavelmente terão seu ciclo natural interrompido podendo prejudicar sua migração e como se trata de uma mãe com filhote poderá prejudicar o desenvolvimento dele.
Medidas precisam ser tomadas para que essa realidade diminua, assim estaremos evitando a morte prematura de cetáceos e também que pescadores não tenham perdas financeiras precisando repor as redes de pesca que são danificadas nessas situações.”
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