|
31/10/07 - 16h10
Eu sei que faz muito tempo.... Mas, aqui estou eu novamente. As coisas na minha vida resolveram dar uma acelerada tão grande que eu me surpreendo a cada dia por estar dando conta de acompanhar esse ritmo, mesmo na tranqüila Garopaba.
Parece que enquanto eu morava na cidade grande eu estava durante todo esse tempo presa em uma caverna, como um urso, quando o seu único parâmetro é o tempo de hibernar, e de repente esse tempo termina e começa um novo ciclo, uma nova vida, UMA NOVA FASE.
Só que foi tão de repente e uma mudança tão grande de ritmo que eu nem acredito que sou eu fazendo tudo que estou fazendo, ou não fazendo o que eu não estou fazendo, e o mais incrível é que estou gostando. Se alguém me falasse que eu estaria vivendo assim, nesse ritmo tão desacelerado há um ano, eu diria que seria impossível, porque não era da minha condição naquele momento. Descobri que as pessoas andam muito nervosas. Na cidade grande ninguém tem tempo de apreciar um por do sol, não se ouve passarinhos (acho até que eles migraram de lá), algumas caras doem quando sorriem, nas grandes metrópoles só se core ganha e gasta. Os saltos são muito altos, a ambição e descabida e as baladas são financeiramente exageradas. E é assim que vive as grandes civilizações com rótulos de “urbanas”, vivem de certa forma a procura prematura de certa morte.
Mas o Universo é tão sábio e me pegou completamente desprevenida e com tanta sincronicidade em tudo que eu não tive como recusar. Enquanto estava na caverna buscando por mim, eu estava tão envolvida naquele estado de Ter e Sofrer que não conseguia me ver de outra forma e pensei que seria assim para sempre, acho que me apeguei, e só sai porque foi tudo muito rápido e inesperado... Se não fosse, eu ficaria ainda por muito tempo na caverna e não saberia que gosto de coisas que eu pensava que não gostasse e que não faziam parte da minha natureza. E agora estou aqui e me surpreendendo por descobrir como eu ainda sei tão pouco de mim e que muito além do que eu penso e que quero, existe outro querer muito mais profundo.
Daí cheguei à conclusão que você também é assim. Todos nós somos. Unidades copiosamente quase iguais. Buscamos o caminho possível, mas não o único para a tal “felicidade”.
Vai ver é por que nos apegamos muito ao “gostar” e “não gostar” do momento, e congelamos esse gostar e não gostar, e não aceitamos mais nada, além disso, isso porque nos esquecemos que temos ciclos, igual à natureza. Saber se escutar e seguir a voz da alma mesmo que ela nos chame para coisas que pensamos que não gostamos às vezes não é fácil porque preferimos ficar no conforto dos conhecidos e já classificados, mas, são esses saltos no escuro que nos revelam partes nossas que nos trazem uma felicidade, nova, porém autêntica. Eu adoro surpresas e fico encantada com as muitas possibilidades de mudanças de ciclos e de jeitos de “ser” que ainda vão nos aguardar pela frente. Agora, para todos, parece que é outro tempo. Uma nova era, outro chamado. Sempre iremos correr o risco de nos apegar ao que está bom, ao que achamos ser o certo, mas quando a alma chamar é bom ir, porque ela sempre pode nos mostrar que existe algo ainda melhor. Tem um filme “Crimes e Pecados”, o personagem do Woody Allen diz: "Nós somos a soma das nossas decisões." Excelente frase, se unificou na minha massa cinzenta e nunca mias saiu de lá. Também compartilho do ceticismo de Allen: a gente é o que a gente escolhe ser, o destino não tem nada haver com isso. Desde muito pequenos aprendemos que, ao fazer uma opção, estamos descartando outra, e de opção em opção vamos tecendo essa teia que se convencionou chamar "minha vida." Muito doido isso! Allen é uma figura.
Uma coisa é uma coisa. Outra coisa é outra coisa. Não se pode ser, nem ter tudo. Isso é tarefa fácil. No momento em que se escolhe ser médico, se está abrindo mão de ser advogado. Ao optar pela vida de executiva, será quase impossível conciliar com a atriz. Se for psicologia que se almeja, pouco tempo sobrará para fazer o curso de odontologia. Na vida, e a mesma coisa. Principalmente no amor. Namora-se um, outro, e mais outro, num excitante vaivém de romances. Até que chega um momento em que é preciso decidir entre passar o resto da vida sem compromisso formal com alguém, apenas vivenciando amores e deixando-os ir embora quando se findam, ou casar, e através do casamento fundar uma microempresa, com direito a casa própria, orçamento doméstico e responsabilidades. Essas duas opções têm seus prós e contras: viver sem laços e viver com laços. Livre ou enforcado. Só você pode escolher!Morar em Londres ou numa chácara? Ter filhos ou uma vaca? Posar nua ou ralar atrás de um balcão? Correr de moto ou entrar para um convento? Fumar e beber até cair ou virar um vegetariano semi-budista? Todas as alternativas são válidas, mas há um preço a pagar por elas. Quem dera pudéssemos ser uma pessoa diferente de mês em mês. Ser casados de segunda a sexta e solteiros nos finais de semana. Ter filhos quando se está bem-disposto e não tê-los quando se está cansado. Viver de poesia e dormir em hotel cinco estrelas.
Eu acho isso muito importante, o autoconhecimento. Por isso insisto que é necessário ler muito, ouvir os outros, estagiar em várias tribos, prestar atenção ao que acontece em volta e não cultivar preconceitos. Não ficar boiando e nem goiabando. Se for fazer algum “ando” desse, que seja o de estudando.
Nossas escolhas não podem ser apenas intuitivas, elas têm que refletir o que a gente é. Lógico que se devem reavaliar decisões e trocar de caminho quando você souber que está no caminho errado. Todo mundo sabe o que é “certo” e o que é “errado”.
Ninguém é o mesmo sempre. Mas que essas mudanças de rota venham para acrescentar, e não para anular a vivência do caminho anteriormente percorrido. A estrada é longa e o tempo é curto. Quanto menos a gente errar, melhor.
Um grande sábio uma vez disse: “Toda liberdade de ser e ter consiste em se conquistar”
|
|