Na segunda (8), a Câmara de Comércio Exterior (Camex) anunciou a medida, como parte da retaliação autorizada pela Organização Mundial do Comércio (OMC) à prática do governo dos Estados Unidos de pagar subsídios aos produtores de algodão.
“Já tem gente querendo ganhar dinheiro à custa de uma determinada situação”, comentou Stephanes em entrevista coletiva para apresentar o sexto levantamento da safra de grãos 2009/2010.
Especulação - Segundo ele, esse tipo de especulação ocorre porque apenas cinco grandes grupos de moinhos controlam toda a comercialização de trigo no país e sempre pressionam o governo para reduzir a tarifa de importação, embora não aceitem abrir seus estoques.
“Numa reunião, eles pediram a importação com tarifa zero com o argumento de que o preço do pão aumentaria 36% se não fossem atendidos. Eu disse que aceitava, se eles aceitassem abrir os estoques, mas eles não aceitaram. Não os atendemos e o preço não subiu. Eles acham que não sabemos fazer cálculo”, afirmou.
Segundo Stephanes, apenas 5% do trigo comercializado no país é importado dos Estados Unidos. Além disso, ele ressaltou que o preço do cereal interfere pouco no preço do pão.
Safra recorde - A cada levantamento da safra de grãos 2009/2010 feito pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mais o volume total estimado para a colheita se aproxima do recorde histórico, obtido no ciclo 2007/2008, de 144,1 milhões de toneladas. A pesquisa divulgada nesta terça (9), a sexta desde o início da safra, indica uma produção de 143,95 milhões de toneladas.
A previsão – feita com base em informações coletadas de representantes de cooperativas e sindicatos rurais, órgãos públicos e privados entre 22 e 26 de fevereiro – já é 6,5% superior aos 135,13 milhões de toneladas da última safra. Em relação à pesquisa divulgada no mês passado, o crescimento é de 0,6%. A melhor avaliação, segundo a Conab, deve-se à alta produtividade e à estabilidade das chuvas nas áreas de maior produção.
Beneficiada pelo clima, a soja, grão mais produzido no país, deve chegar a 67,57 milhões de toneladas, cerca de 10 milhões de toneladas a mais do que na safra passada. Nos estados que mais produzem, como Mato Grosso, Goiás e o Rio Grande do Sul, a colheita já supera os 50%.