Discussão - O crime teria acontecido durante uma discussão entre o suspeito e o cartunista. Segundo o delegado do Setor de Investigações Gerais (SIG) da Delegacia Seccional de Osasco, Archimedes Cassão Veras Júnior, o suspeito era conhecido da família e tinha acesso à residência. “Todas as testemunhas apontam que essa pessoa discutiu com o Glauco”, disse o delegado.
Veras Júnior ainda contou que os tiros foram dados no terreno do imóvel onde Glauco morava com a família. Em um primeiro momento, o suspeito teria apontado a arma para a própria cabeça. Ao tentar impedir que ele atirasse, o cartunista foi atingido. Em seguida, seu filho também foi alvejado.
Santo Daime - O cartunista havia fundado a Igreja Céu de Maria, que era inspirada nos cultos do Santo Daime e funcionava na mesma comunidade.
Segundo a Agência Estado, o suspeito do crime vive no Alto de Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo, e estava afastado dos cultos havia cerca de seis meses. No fim da noite de ontem, ele teria ido ao encontro de Glauco e Raoni, levando uma pistola 765.
De acordo com o delegado, a família ouviu uma discussão durante a noite e foi para fora da casa verificar o que estava ocorrendo. Vizinhos também presenciaram a confusão.
Segundo o major Isaías Vieira, da Polícia Militar, pouco antes da discussão estava sendo realizado um culto no local, na noite de quinta-feira (11). O suspeito dos crimes teria pedido para falar com o cartunista e com o filho Raoni. Uma discussão teria começado e o homem atirou em Glauco e em seguida em Raoni, fugindo logo em seguida num carro cinza.
Tiros - Ainda segundo a polícia, Raoni levou quatro tiros no tórax e no abdome. Três deles transpassaram o corpo do jovem e um ficou alojado. Glauco também foi baleado quatro vezes. Um tiro acertou o lado direito do rosto, entrou pela bochecha e ficou alojado. Os outros três atingiram o abdome e o tórax e atravessaram as costas do cartunista.
Cartunista - Glauco Villas Boas nasceu em Jandaia do Sul, no Paraná, em 1957. Como cartunista, publicou seus primeiros trabalhos em 1976, no "Diário da Manhã" de Ribeirão Preto, e, em 1977, ganhou seu primeiro prêmio no Salão do Humor de Piracicaba.
No início da década de 1980, passou a fazer parte do elenco de cartunistas do jornal "Folha de S. Paulo", onde consagrou personagens como Geraldão, Geraldinho, Dona Marta, Zé do Apocalipse, Casal Neuras e Doy Jorge.
Lula - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou nesta sexta-feira, por meio de comunicado, a morte do cartunista Glauco Villas Boas e do filho dele, Raoni, ocorrida ontem à noite, em Osasco, na Grande São Paulo. Para o presidente, a morte do cartunista foi uma "tremenda" perda. “”Glauco foi um grande cronista da sociedade brasileira, entendia os usos e costumes da nossa gente e expressava isso com inteligência e humor”, afirmou Lula.