O presidente Lula defende que o Irã tenha o direito de enriquecer urânio desde que exclusivamente pra fins pacíficos. Mesmo com essa ressalva, a posição brasileira não é bem-vista pelo governo de Israel, inimigo do Irã. Durante visita ao Knesset, o Parlamento israelense, o presidente Lula foi cobrado por essa posição. O presidente da Casa, o deputado Reuven Rivlin, disse que “ser publicamente contra as sanções [ao Irã] pode ser visto como um sinal de fraqueza.”
A líder da oposição, Tzipi Livni, e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu também foram duros em seus discursos ao citar o caso do Irã. Netanyahu pediu ao presidente Lula que apoie as sanções afim de evitar o armamentismo do Irã.
"Peço que você apoie a frente internacional contra o regime de Ahmadinejad, pediu o primeiro-ministro israelense, segundo a BBC Brasil. "O Brasil não pode dar legitimidade indireta a esse regime", acrescentou Livni, também de acordo com a agência de notícias.
O presidente Lula foi o último a discursar no Parlamento israelense e não fez referências diretas ao Irã, mas disse ser contra o armamentismo nuclear. “Em meu país, há uma proibição constitucional de produção e utilização de armamento nuclear. Gostaríamos que o exemplo de nosso continente pudesse ser seguido em outras partes do mundo.”
Rolo compressor - O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, minimizou os discursos dos líderes israelenses. O chanceler brasileiro não os classificou como “um rolo compressor” e disse que, em encontro reservado, Lula explicou a Netanyahu suas razões para ser contra as sanções ao Irã.
Segundo ele, a explicação é que o governo brasileiro concede o “benefício da dúvida” ao Irã. E completou: “Se o benefício da dúvida tivesse sido dado de maneira correta ao Iraque, teriam sido evitadas 200 mil mortes.”